Tratamento Ortodôntico do novo milênio


É difícil acreditar, mas a história das deformidades crânio-faciais iniciaram na época de Hipócrates: toscos aparelhos foram encontrados como achados arqueológicos em túmulos do Egito antigo, da Grécia e dos Maias, no México. É provável, porém, que a ortodontia como a conhecemos hoje tenha suas raízes na França, no século XVIII, e na América (EUA) na última parte do século XIX – nomes como Kingley, Farr, Talbot e Guilford são freqüentemente citados entre os pioneiros.

A técnica ortodôntica foi aceita mundialmente e desenvolveu-se a partir da virada do século, mais precisamente nos anos 20, com os estudos do dentista americano Dr Edward H. Angle. Ele publicou o primeiro livro sobre o assunto e montou uma escola que sobrevive, através de seus pupilos, até os dias de hoje.

Mas e agora? O que vem de novo para ortodontia do próximo século? O que será contado no século XXI para nossos filhos e os novos especialistas? As vedetes serão as novas técnicas ou os novos materiais? As tendências atuais da ortodontia já estão sendo escritas neste século, novos materiais e técnicas aparecem com força total. O assunto é intrigante.

O que há de novo?

Os aparelhos ortodônticos estéticos apareceram como grande vedete do final deste século, e vêm prometendo novos caminhos para os pacientes que se preocupam com a estética, mesmo na hora das correções dentárias.

Os braquetes de porcelana, de fibra de vidro e de materiais plásticos (aqueles pedacinhos que são colados nos dentes) vêm sendo utilizados atualmente como a solução para substituir o indesejável sorriso metálico.

É preciso salientar que nem todos os casos podem ser bem solucionados com este tipo de aparato: só um profissional com bom conhecimento das terapias ortodônticas pode avaliar e indicar a melhor alternativa.

Já os aparelhos linguais, colocados na parte interna dos dentes, também são uma revolução no tratamento ortodôntico estético, mas esta técnica ainda não tem uma grande aceitação. Estudos publicados no mundo da ortodontia prometem, porém, desenvolvê-lo ainda mais no próximo milênio.

As técnicas de tratamento ocupam uma página especial nesta fase final do século. Os aparelhos de arco contínuo (straigth – wire ) vieram revolucionar a técnica convencional (edgewise - arco de canto), pois são mais eficientes e sofrem menos chances de erros provocados pela inabilidade do profissonal.

Através de uma tecnologia desenvolvida pela NASA, foi possível criar arcos de níquel-titâneo com memória e os termo-ativados, ou seja, ativados pelo calor da cavidade bucal. Ambos os arcos tendem a voltar ao formato original, independente das deformações sofridas por eles. Os cimentos que liberam flúor também vêm evoluindo muito na área de materiais ortodônticos. Eles são utilizados na colagem de bandas (aqueles anéis metálicos que englobam, principalmente, os dentes posteriores) durante a montagem dos aparelhos fixos, e trazem grandes benefícios para a estrutura do esmalte dos dentes.

Novas resinas e ionômeros de vidro, materiais que também liberam flúor, promovem uma colagem mais eficiente dos braquetes. A textura da parte de trás dos braquetes, conhecida como malha de retenção, torna-se dupla e é jateada com óxido de alumínio, favorecendo uma adesão maior entre o braquete e o esmalte do dente. Desta forma, é possível prevenir prejuízos ao esmalte dentário e a instalação de cáries. É evidente, porém, que nada substitui uma higiene adequada...

Filosofia do novo milênio

No entanto, um bom diagnóstico e um plano de tratamento adequados são fundamentais para o sucesso dos tratamentos ortodônticos. Para isso, é importante estipular metas a serem alcançadas: estética facial, estética dental, integridade periodontal (saúde da gengiva, dos ossos e dos ligamentos), oclusão funcional e estabilidade e saúde nas articulações temporo-mandibulares.

Acredito que a ortodontia do novo milênio nasce aí, novos conceitos de oclusão (como os dentes devem se articular e se relacionar durante os movimentos da mandíbula) estão sendo incorporados aos tratamentos ortodônticos. Podemos creditar esse mérito ao estudioso americano Dr. Ronald Roth (o pai da oclusão na ortodontia), cujas idéias estão sendo difundidas pelo mundo e vêm revolucionando a ortodontia convencional. Seus conceitos não só estão ligados aos tipos de braquete a serem usados, mas a uma filosofia de tratamento ortodôntico.

Para o novo milênio espera-se grandes evoluções nos materiais. Acredito, também, em uma filosofia respaldada em conceitos de como melhorar os problemas oclusais através de um diagnóstico elaborado e buscar uma estabilidade dentária e das articulações temporo-mandibulares posteriores ao tratamento. Além, é claro, dos avanços nos diagnósticos realizados através de aparatos como articuladores e manipulação de imagens no computador. Assim, poderemos visualizar as alterações faciais dos tratamentos antes de serem executados.


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