Brasil: país de banguelas


Apesar de ter um exército de dentistas de fama mundial, o Brasil continua sendo um país de desdentados. Além da qualidade, o Brasil se destaca também pela quantidade de dentistas. Segundo dados da Associação Brasileira de Odontologia (ABO), são 160 mil, que representam 11% dos profissionais em atividade no mundo. Mas contraditoriamente ainda somos um país de desdentados. Apesar do dentista brasileiro ser considerado um dos três melhores do mundo, ficando atrás apenas de americanos e suecos, o país tem 20 milhões de banguelas.

De acordo com a Associação Brasileira de Odontologia, o país tem cerca de 1 bilhão e 500 mil dentes cariados – cada brasileiro tem aproximadamente 30% de seus dentes com cárie. Mais de 70% da população com mais de 50 anos já perderam todos os dentes, e 86% dos brasileiros não têm acesso a tratamentos odontológicos.

A explicação para o paradoxo é simples: desenvolvemos técnicas sofisticadas de prótese e reparação estética da boca, mas não investimos na prevenção da cárie, uma doença quase erradicada, por exemplo, nos países do norte da Europa.

“O dentista brasileiro é um dos mais competentes do mundo. No entanto, seu trabalho não é valorizado pelas autoridades públicas. O tratamento odontológico ainda é caro no Brasil, mas medidas preventivas desde a infância podem evitar o aparecimento de doenças na boca e, conseqüentemente, no restante do organismo”, afirma o presidente da ABO, Léo Virgílio Furtado de Oliveira.

A cárie é uma doença

Como a grande maioria desconhece, a cárie é uma doença. E uma doença infecto-contagiosa. Prevenindo-a desde a infância, o adulto garantirá sua saúde oral. Como a população não se previne, a doença vai tirando dentes do sorriso do brasileiro.

“Se a mãe tomar pequenos cuidados desde cedo, a criança dificilmente terá problemas dentários no futuro. Faltam campanhas de prevenção e de valorização profissional”, afirma o dr. Léo Virgílio. A prevenção contra a cárie deve começar já nos primeiros meses de vida. Soprar a comidinha do bebê e dar beijinhos na sua boca, por exemplo, não são hábitos inofensivos como aparentemente parecem. Podem causar doenças, pois a mãe poderá levar bactérias de sua boca para a da criança porque os microorganismos cariogênicos são transmissíveis. Por isso, um bebê de oito meses, por exemplo, já pode ter cárie.

Para evitar a formação de cáries nos seus bebês, as mães devem limpar a boca da criança diariamente com gaze para eliminar os resíduos de alimentos e bactérias da mucosa e língua. A prevenção também deve ser aplicada nos adultos, pois observa-se com freqüência que eles higienizam seus dentes da mesma forma aprendida na idade infantil.

“As mães são fontes de transmissão de microorganismos cariogênicos para seus filhos. Um dos cuidados que elas devem ter é não esfriar a comida do bebê soprando o alimento. O atendimento precoce deveria ser uma realidade para melhorar a saúde bucal no Brasil”, defende a dentista Marilza Vianna Moura.

A falta de campanhas maciças de incentivo à higiene bucal é apenas uma das causas da proliferação de cáries no país. Uma solução simples e barata para o controle da cárie é adoção do flúor na água da torneira. Mas apenas 30% da população são beneficiados com esta medida. “O flúor é a melhor medida de prevenção contra as cáries. É uma solução barata que beneficia todas as classes sociais. Mas infelizmente muitas cidades não possuem água fluoretada, o distrito de Visconde de Mauá, no Rio de Janeiro, é um exemplo”, afirma a Dra. Marilza Vianna.

Restos de alimentos não removidos podem provocar doenças nas gengivas

Além da cárie, as doenças nas gengivas são outro grave problema na população brasileira. Noventa por cento dos brasileiros têm esse problema, que podem ser evitados com a escovação correta. Os restos de alimentos não removidos juntamente com as bactérias da boca formam uma camada sobre o dente, chamada placa bacteriana. Com o tempo, a placa bacteriana não removida endurece, formando uma crosta sobre o dente, chamada tártaro.

A placa bacteriana e o tártaro provocam inflamação e infecção nas gengivas. À medida que aumenta de tamanho, o tártaro separa o dente da gengiva, causando infecção. Não sendo removido o tártaro, a doença progride e as fibras que sustentam o dente são destruídas havendo perda óssea e provocando a perda dentária. “Escovar os dentes corretamente, sempre depois de ingerir alimentos ou beber líquidos e antes de dormir, e usar o fio dental previnem as doenças periodontais”, diz a odontologista.

Segundo o presidente da ABO, Léo Virgílio, dentes mal cuidados podem também causar problemas na saúde. Problemas digestivos, por exemplo, podem ser provocados pela mastigação incorreta. O alimento não digerido corretamente na boca pode gerar irritação no estômago. O uso de aparelho ortodôntico para reestruturar a mandíbula, aumentando o espaço para a movimentação da língua, pode ser a solução.


Voltar ...


Nota: Todas as informações que compõem o conteúdo do site OdontoWeb têm caráter meramente informativo e ilustrativo. Nenhuma informação contida no site OdontoWeb deverá ser utilizada, sob hipótese alguma, para a execução de diagnósticos médicos, e de quaisquer outros procedimentos relacionados à saúde. Para tanto, sempre consulte e visite regularmente seu dentista.