Gagueira


A gagueira é uma patologia da infância. Até os 5 anos de idade 50% das gagueiras já se instalaram, até os 8 anos 90% e até os 12 anos 99%.

Caracteriza-se por uma alteração do ritmo da fala, com tal freqüência e intensidade, que prejudica a inteligibilidade da mensagem e leva à angústia, tanto o falante como o ouvinte.

Evolui por períodos de boa fluência, intercalados com surtos de má fluência, que se tornam mais freqüentes e duradouros com o decorrer do tempo.

Depois de instalada se "auto-alimenta". As sensações de insucesso no ato de comunicar, que sucessivamente vão se acumulando, levam à ansiedade e à expectativa de fracasso a cada nova situação de comunicação, que, se concretizado, o que geralmente acontece, soma-se aos interiores.

O desconforto para falar é tanto mais intenso, quanto maior for a importância do interlocutor e do conteúdo da mensagem a ser transmitida, a juízo do falante.

Devido a isso, a gagueira é mais intensa quando a criança está dirigindo-se aos pais, aos professores, falando na presença de muitos ouvintes, de pessoas estranhas, ou quando se trata de assunto relevante para ela.

São varias as causas que podem levar a criança a ter o ritmo de fala iniciado nesse sofrido círculo vicioso de mau desempenho, que faz com que o falar seja cada vez mais penoso.

Qualquer falha que ocorra em qualquer dos "elos" da complexa "cadeia" de estruturas e funções a serviço da comunicação oral, pode ser o ponto de partida para a gagueira.

A falha pode estar na dificuldade da pronta evocação de "palavras", na organização da idéia a ser transmitida, na programação dos movimentos que os articuladores deverão realizar, na falta da agilidade motora sincronizada das estruturas encarregadas de articular os sons da fala (articuladores), na falta de vigor do "fole" pulmonar para produção da voz, através da vibração das cordas vocais.

Com muita freqüencia são alterações sutis, que só o especialista detecta, não sendo rara a participação de mais de uma delas.

Quanto mais precocemente essas alterações forem diagnosticadas e adequamente tratadas, muitas vezes com utilização de medicamentos, menor a possibilidade da guagueira manifestar-se, e, conseqüentemente, de levar ao sofrimento, através da ansiedade, da angústia e da frustação crescentes, que aos poucos se instalam, inibindo a fala e comprometendo a sociabilidade, com importante prejuízo da auto-estima e da auto-imagem.

O grande complicador no tratamento da gagueira, que é possível ser realizado com sucesso, e em qualquer idade, é a conotação folclórica, que habitualmente dela se faz.

Não só quanto à sua origem mas principalmente em relação aos procedimentos "caseiros" usados com o objetivo de resolvê-la. Vão desde a demora na procura do especialista, até o mais grave e freqüente deles, representado pelas diferentes formas de pressão e cobrança sobre o desempenho da fala, como se o gaguejar fosse uma opção feita pela criança, que, se quisesse e/ou tivesse força de vontade, poderia deixar de fazê-lo.

Apesar da boa intenção de querer ajudar, da parte de quem assim age, infelizmente são condutas que só contribuem para agravá-la.


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