Flúor, cuidado com os excessos


Nem oito, nem oitenta. Usar flúor é uma ótima forma de prevenir a cárie, mas o mesmo mineral, em excesso, pode causar problemas. Seu acúmulo no organismo provoca a fluorose, uma descalcificação dos dentes que forma manchas brancas complicadas de tratar.

Mas não é para abandonar o flúor, já que ele reduziu a incidência de cáries em 70% nas últimas décadas. O importante é não abusar.

O consumo excessivo de flúor vem de várias fontes. A água, nos grandes centros do país, é fluoretada, e estima-se que 65 milhões de pessoas no Brasil recebam este serviço.

O que, em tese, é bom, principalmente para a população que não tem acesso a pastas de dentes e enxaguatórios contendo o mineral. Porém, o controle das empresas de abastecimento sobre a quantidade da substância na água é precário. Por isso, em algumas localidades, ela contém flúor demais.

Além disso, as crianças costumam engolir pasta de dente, principalmente quando esta tem um gostinho agradável. E na maioria das vezes usam pasta de adulto, que tem quantidades de flúor maiores do que as recomendadas para crianças.

A propaganda de cremes dentais induz ao erro quando leva a entender que “quanto mais flúor, melhor”. Também ensina erradamente quando mostra as cerdas da escova de dente entupidas de pasta. Na verdade, a quantidade deve ser do tamanho de uma ervilha. Para crianças menores de três anos, uma gota já basta.

A fluorose é uma doença que começa com o surgimento de listras horizontais nos dentes

É por isso tudo que os dentistas estão mais cautelosos, hoje, ao receitar dentifrícios com flúor. “É preciso fazer um monitoramento individual dos pacientes”, indica o dentista Maurício Donner Jorge.

Ele ressalta, no entanto, que não se podem esquecer os benefícios do mineral. “O flúor, em contato com o esmalte do dente, torna-o mais mineralizado e portanto mais forte e saudável. É preferível ter um pouquinho de fluorose do que ter a boca estragada pela cárie”, opina.

A fluorose começa a atacar os dentes na infância, até os 10 anos, quando eles ainda estão em formação, escondidos sob a gengiva. Se não tratada, pode persistir na fase adulta e se agravar. Num primeiro estágio, aparecem linhas brancas percorrendo o dente no sentido horizontal. Numa segunda fase, as manchas se espalham e podem ficar amareladas.

O estágio mais grave é quando as manchas ficam marrons e o dente começa a perder pedaços e mudar de contorno.

Felizmente, o problema tem como ser corrigido. O tratamento vai depender do nível de gravidade da fluorose:

Lesões iniciais (brancas) – microabrasão e clareamento dental. Lesões amarelo claro ou escuro e lesões marrons – microabrasão, clareamento e restauração com resina fotopolimerizável.

“É muito importante tratar a fluorose. Além de ser feia, ela pode causar dor e até facilitar o desenvolvimento de cáries”, destaca a dentista Lenise Velmovistky.

Formas de prevenção

Mas, como saber se a quantidade de flúor que você e sua família ingerem está acima da recomendável? Para prevenir a fluorose, siga estas dicas:

*Ensine a criança a cuspir a pasta depois de escovar os dentes e a jamais comê-la – hábito que parece estranho, mas que muitas crianças têm. “A ingestão de pasta de dente é o que mais contribui para a fluorose”, afirma Lenise Velmovitsky.

*A atenção quanto ao uso do flúor deve ser maior no caso das crianças, pois a fluorose costuma atacar mais os dentes em formação. “No exterior existem pastas de dentes infantis com pouco flúor, mas no Brasil a quantidade é quase a mesma das de adulto”, diz a dentista.

*Verifique se as aplicações de flúor na escola são realizadas por dentistas.

*Depois que os dentes estiverem formados, é importante usar pastas e enxaguatórios bucais com flúor. Porém, só use produtos indicados por um dentista.

*Faça um acompanhamento preventivo com um dentista. Não tenha vergonha de tirar dúvidas sobre escovação e sobre que produtos usar.

*Não se deve tomar suplementos de flúor, pois o mineral presente na água já é suficiente para o organismo.

*Por fim, o governo também precisa fazer sua parte, fiscalizando a quantidade de flúor presente na água encanada. “Divulgar a questão da fluorose é importante para chamar a atenção das autoridades e conscientizar a população”, afirma o Dr. Maurício Donner Jorge.


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